O Jornal Planeamento e Cidades tem o prazer e a honra de convidar para a apresentação pública do livro "Os Desafios das Cidades: Contributos da Gestão, Marketing e Planeamento Estratégicos"
Jornal Planeamento
segunda-feira, 22 de abril de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
Plano para Porto de Lisboa
causa polémica entre as duas margens do Tejo
O governo apresentou recentemente um Plano de Reestruturação do Porto de
Lisboa, que prevê a concessão do terminal de cruzeiros, a criação de uma nova
marina e um novo terminal de contentores na Trafaria (Almada).
Segundo o plano do Governo, a margem norte do Tejo ficará unicamente
destinada a cruzeiros e à náutica de recreio.
Em Santa Apolónia está a ser construído um terminal de cruzeiros, na qual
a conclusão se previa até ao final deste ano. Além desta oferta, o Executivo pretende
agora desenvolver a construção de um segundo terminal de cruzeiros.
Na outra margem, na Trafaria serão feitas obras de alargamento do atual terminal. Atualmente, a margem sul recebe apenas granéis (combustíveis e cereais),nesta margem, no estuário do Tejo, o Governo levantará as restrições portuárias existentes, para serem criadas concessões turísticas. Sérgio Monteiro, secretário de Estado das Obras Públicas, explicou que a transferência do terminal de contentores de Lisboa para a Trafaria irá obrigar à construção de uma ligação ferroviária especialmente vocacionada para o efeito.
Esta operação integra-se no projeto mais vasto de reformulação de toda a
zona ribeirinha da Grande Lisboa apresentado pelo Governo. O ministro da
Economia, Álvaro Santos Pereira, que presidiu à sessão de apresentação das
alterações para toda a zona portuária do estuário do Tejo, garantiu que, com
estas alterações, as exportações portuguesas ficarão ainda mais competitivas.
Quanto ao terminal de contentores de Alcântara, o ministro da Economia,
Álvaro Santos Pereira, salientou que o contrato com a Liscont termina apenas em
2020, pelo que a discussão à volta do futuro deste terminal só se colocará
dentro de alguns anos, no entanto, com a saída dos contentores do terminal de
Alcântara, ficará disponível uma área de 14 hectares e uma frente de cais de
630 metro, já no eixo Santa Apolónia-Matinha a superfície que será libertada de
contentores é de 24,8 hectares, com uma frente de cais de 2142 metros.
O Governo considera que este é um projeto estrutural para as exportações
portuguesas, pois com o alargamento e a nova valência, a Trafaria terá
capacidade de pelo menos um milhão de TEUs (unidade de medida padrão
equivalente a um contentor de seis metros), superior à atual capacidade de
Lisboa.
O novo terminal, que tem um investimento estimado de cerca de 600 milhões
de euros, será concessionado a privados, num concurso a preparar ao longo de
2013. Serão, aliás, estes investidores que suportarão 80% do investimento total
estimado pelo Governo para o projeto. Na apresentação do projeto, o ministro da
Economia mencionou que a reestruturação do porto de Lisboa trata-se de “um
projeto estruturante para a economia nacional que a ajudará a crescer”. Álvaro
Santos Pereira salientou a redução dos custos das exportações e a criação de
emprego, especificando que irá criar a longo prazo aproximadamente 500 novos
postos de trabalho.
António Costa, presidente da Camara Municipal de Lisboa, manifestou-se “triplamente
satisfeito” com a anúncio do Governo de retirar parte dos contentores de
Lisboa, o presidente concorda na totalidade com a continuação do terminal de
contentores em Alcântara, mas também disse ficar “prudente e na expectativa”
sobre um dos efeitos do novo uso do terminal da Trafaria que ira receber
contentores, o escoamento desses produtos e os seus impactos na capital.
O término do terminal de contentores de Alcântara era a grande
divergência entre o Governo e a Câmara lisboeta. Ao manter o atual uso deste
cais pelo menos até 2020, uma garantia que António Costa recebeu do ministro da
Economia, o governo toma uma posição que vai de encontro com os desejos da
autarquia."Foi prudente a decisão do Governo de não acompanhar a
construção do novo terminal na Trafaria com a desativação do de
Alcântara", disse o autarca. "Lisboa dá importância ao terminal. É
uma fonte de postos de trabalho e riqueza", acrescentou.
Numa posição oposta encontra-se Maria Emília de Sousa, a presidente da
Câmara de Almada, que afirmou que este plano, de um novo terminal de
contentores na Trafaria é um “ atentado ambiental gravíssimo” e que garantiu
recorrer aos tribunais para impedir a realização do projeto. A presidente da
Câmara de Almada adianta “Os autarcas do município de Almada há muitos anos que
recusam a construção de um megaterminal de contentores na Trafaria. O modelo de
desenvolvimento do concelho não passa por aqui. Esta situação, a
concretizar-se, corresponderá a um gravíssimo crime ambiental de `lesa pátria”.
“O nosso município não deixará de recorrer a todas instâncias judiciais,
incluindo o Tribunal Europeu, contra este crime hediondo”, acrescentou Maria
Emília de Sousa.
Com efeito a Câmara Municipal de Almada desenvolveu, em tempo útil, um
ambicioso Plano de Desenvolvimento Turístico onde o Rio Tejo e a vista
privilegiada para as colinas da cidade de Lisboa e em particular para a zona de
Belém com todo o seu património associado aos Descobrimentos portugueses são um
forte atrativo que este plano portuário, agora anunciado pelo governo, vem pôr em causa.
Antevê-se que a realização deste plano irá ser demorado e com alguns
entraves à sua concretização devido ás oposições manifestadas quanto a este projecto.
terça-feira, 19 de março de 2013
Publicação
de livro: "Planeamento Territorial, crónicas” de
Fernando Pau - Preto
A APPLA – Associação Portuguesa de
Planeadores do Território acabou de editar no passado mês de Fevereiro mais um
livro, “Planeamento Territorial,
crónicas”, da autoria do seu associado Fernando
Pau-Preto.
Segundo o autor,
trata-se de um livro de consulta pontual, disponibilizando 15 textos curtos,
que percorrem os diversos planos que constituem a famosa “cascata” do sistema
de Ordenamento do Território em Portugal (ver figuras).
Apesar
de se tratar, aparentemente, de um livro de índole técnica, tal não corresponde
à verdade. Um dos objetivos dos textos foi tentar desmistificar
alguns dos conceitos do Ordenamento do Território, de modo a tornar os seus
instrumentos e práticas mais facilmente percetíveis e entendíveis por
quem não está tão familiarizado com a linguagem técnica utilizada.
Na
parte final do livro encontram-se reunidos 4 textos de opinião publicados no
Jornal Planeamento & Cidades. Encontra-se disponível por 8,50€ na APPLA, na
Livraria da Universidade de Aveiro, na Livraria Paraíso do Livro (Porto) e na
Papelaria-Livraria Adrião (Mangualde).
O
livro encontra-se organizado da seguinte forma:
- Prefácio - Dulce Lopes: Assistente da Faculdade de Direito da Universidade
de Coimbra
- Nota
de apresentação - Celso Brás: Presidente da APPLA
-
Nota do autor - Fernando Pau-Preto
- 15
Crónicas, publicadas no Jornal Renascimento
- 4
Textos de opinião, publicados no Jornal Planeamento & Cidades
-
Bibliografia
-
Anexos
Breve nota biográfica sobre o autor:
Fernando Pau-Preto nasceu em 1973, em Viseu, e residiu em Mangualde até
partir para a Universidade de Aveiro onde se licenciou em Planeamento Regional e
Urbano. Posteriormente, concluiu o grau de Mestre em Planeamento e
Desenvolvimento do Ambiente Urbano.
Trabalha
na Direção Municipal de Urbanismo da Câmara Municipal do Porto, pela
FEUP/FAUP,sendo a sua essa a sua área de residência.
Desenvolveu
diversos estudos setoriais ligados ao ordenamento e desenvolvimento do
território, património cultural e ambiental, setor educativo e gestão da
qualidade, possuindo diversas comunicações científicas e crónicas de opinião
publicadas sobre essas matérias. Para mais informações consultar www.paupreto.net.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Angra do Heroísmo:
30 anos de Património
da UNESCO
A ilha da Terceira do arquipélago dos Açores é considerada uma das ilhas
com maior e mais importante património histórico. Angra do Heroísmo, sede do
bispado desde 1534, ano em que foi elevada a cidade, está situada a sul da Ilha
Terceira junto da pequena baía que lhe deu o nome. A associação de Angra aos
descobrimentos marítimos dos sécs. XV e XVI através do seu porto, que foi
escala indispensável das frotas de África e das Índias, e de ser um exemplo da
criação de uma metrópole ligada à função marítima, valeram-lhe a condição de
Cidade do Mundo. Foi aqui que ancoraram os galeões cheios de especiarias vindas
do Oriente e da América, cheios de ouro, prata, tecidos, pimenta e cravinho e
muitas outras riquezas, que tornaram a capital da Ilha, Angra do Heroísmo, num
testemunho vivo e histórico, reconhecido pela UNESCO em 1983, como Cidade
Património Mundial da UNESCO.
A situação geográfica da ilha, a sua forma arredondada, facilitando as
comunicações entre todos os pontos da sua periferia, a riqueza do solo,
abastada em pastagens para criação de gados e capacidade para outras culturas,
a relativa segurança na baía, fizeram de Angra o porto militar dos Açores,
fazendo desenvolver de uma forma rápida, o pequeno burgo que era Vila desde
1474, nestas condições poucas cidades portuguesas têm desempenhado tão
importante papel na história nacional como Angra, que exerceu uma ação decisiva
nos destinos do país.
É pela sua geo-história, carácter e valor patrimonial edificado que Angra
do Heroísmo se ergue, tanto hoje, como ao longo dos séculos. A capacidade de
entender, usar e evoluir está notório neste espaço, comprovando o que de melhor
se tem feito por estes lados, a ponto de ter merecido o galardão da UNESCO e da
Humanidade.
São realizadas na ilha Terceira diversas festas, sendo nos meses de Maio
a Outubro, a época em que se regista uma maior atividade, com festas
constantes. As Festas de São João, apelidadas pelos terceirenses por
Sanjoaninas, são as maiores festas deste arquipélago. Estes festejos na ilha
Terceira é onde a tradição e cor se misturam fazendo destas festas, um ponto de
encontro, para os açorianos das ilhas vizinhas
O Jornal
Planeamento e Cidades entrou em contato com o Governo Regional do Açores e
obtemos uma declaração do Diretor Regional da Cultura, Nuno Lopes, em que
declarou “Ser Património Mundial
significa ser singular. Singularidade essa reconhecida pela comunidade
internacional, função da memória presente dos tempos passados e do esforço
contínuo de construção de um futuro partilhado com a modernidade.
Num mundo global onde a
uniformização de valores e de costumes nos é imposta e, ao mesmo tempo, em
muitas situações é desejada, ser diferente significa a liberdade de ser
autêntico e de lutar contra a importação de valores que destrói o identitário e
tudo vulgariza.
Ao manter, reconstruir,
proteger, estamos todos os dias a mostrar aos outros e a nós mesmos que ser
plural não significa a anulação individual, a estandardização
civilizacional; o papel que a História reservou a esta cidade e à Região traduz
uma vocação transatlântica, cosmopolita, que deve ser defendida e potenciada no
presente e no futuro.
Efetivamente, não somos uma mera
extensão da Europa, mas uma ponte para outros territórios, onde as influências
se cruzam e informam uma cultura própria.
Passados 30 anos após
classificação é preciso analisar o nosso quotidiano, ajustando o papel do
estado e da comunidade, reforçando no exterior essa marca da diferença”.
Igualmente o Jornal Planeamento e Cidades contactou a Câmara Municipal de
Angra do Heroísmo no qual nos informou que para celebrar esta data a Câmara
Municipal está a organizar um programa comemorativo da efeméride, congregando
entidades e personalidades das mais diversas áreas.
Embora ainda em preparação, este programa visa evidenciar o potencial de
Angra do Heroísmo no presente e no futuro, como cidade cosmopolita que é, mas
que se quer, em pleno século XXI, mais progressista, mais acessível a todos,
mais ecológica e ambientalista, turisticamente mais apelativa, fazendo-se
descobrir pelos cidadãos do mundo a quem, em última análise, também pertence
como Património da Humanidade, mas fazendo-se igualmente redescobrir pelos
angrenses, seus primeiros e derradeiros herdeiros.
Assim até ao dia 7 de Dezembro, data da sua elevação, a Câmara Municipal
de Angra, vai anunciar várias medidas, com o intuito de revalorizar Angra do
Heroísmo.
Sem levantar o véu prematuramente, entre as várias medidas encontram-se
previstas medidas de valorização e salvaguarda do seu património arquitetónico,
ambiental e natural, campanhas de divulgação e promoção turística, jornadas de
debate e reflexão sobre o futuro e as diretivas a seguir, bem como desafios
prioritários a enfrentar, e uma diversificada programação cultural.
Protagonista nos Descobrimentos no passado, na modernidade Angra quer ser
agora descoberta e redescoberta, partilhando e divulgando as várias razões
pelas quais merece ser, novamente e sempre, ponto de escala obrigatória para
quem busca emoção e autenticidade.
Tanto no passado, como no presente, Angra do Heroísmo evidencia-se pela
sua beleza carismática, pelo seu valor histórico e pelo carácter dos seus
habitantes, angrenses que acolhem, num “abraço de aberto” locais e visitantes.
Editorial
OS PARADOXOS DO PLANEAMENTO DO TERRITÓRIO
Nova lei da REN envolta em trapalhada
Por paradoxal que pareça vivemos
simultaneamente um tempo de mudança e estagnação do ordenamento do território
em Portugal. Por um lado a dinâmica legislativa da qual é exemplo as novas
diretrizes para a Reserva Ecológica Municipal e por outro a não obrigatoriedade
de as ter em conta.
Com efeito as novas orientações
gerais seriam, segundo a legislação vigente, obrigatórias passaram a ser opção
das autarquias entretanto encarregues da tua definição. Com isto teremos não
uma REN Nacional, passe o pleonasmo, mas dois tipos de REN: as que estão de
acordo com a anterior legislação e as que ficarão ao abrigo da recente. Estes
ponto relevará uma incontornável incoerência a prazo uma vez que os conteúdos
são substancialmente diversos.
A lei da REN veio definir novos
parâmetros da sua construção impondo um prazo de três anos para que estivessem
em vigor. No entanto a nova lei vem dar o dito por não dito e diz que só altera
a REN quem quiser, quem não quiser pode deixar ficar assim.
O dito popular diz que se algo
nasce torto raramente se endireita e mandaria o melhor do Bom-Senso uma melhor
atenção aos pormenores que afinal são aspetos determinantes da lei. Assim se
pode destruir uma ação bem-intencionada por precipitação injustificável.
O TGV, outro dito por não dito, mas sem território para se executar
Mais outro dito por não dito é a
realização do TGV entre Lisboa e Madrid. Depois de fazer do seu cancelamento um
cavalo de batalha politica o governo vem agora anunciar que irá retomar a
ideia. Com “nuances” claro porque
mudará o nome e algumas características técnicas da ligação.
Com estas hesitações, que o não
pareciam ser, caducaram as medidas preventivas que estabeleciam o espaço-canal
nos Planos Diretores Municipais pelo que reina agora a classe de espaço
territorial definida nestes planos e, por consequência, neste momento, qualquer
viabilidade solicitada para este espaço terá de ser analisada de acordo com a
proposta definida em regulamento e não em função do regresso do TGV.
Foram anos, gastos de recursos
financeiros e técnicos a estabelecer estes espaços canais que por caducidade
das medidas preventivas se perderam. Agora serão mais anos e recursos a
estabelecer um novo espaço-canal. As teimosias políticas inconsequentes com
reflexos territoriais continuam a descredibilizar o planeamento e ordenamento
do território português.
Novo Secretário de
Estado de uma Secretaria de Estado equivocada nos conceitos e nomenclatura
Entretanto temos um novo Secretário de Estado para o
Ambiente e Ordenamento do Território. Não tem corrido bem estas nomeações.
Desde João Ferrão que esta secretaria de estado tem consumido técnicos como os
clubes de futebol em crise consomem treinadores.
No governo anterior Fernanda do Carmo,
neste Pedro de Paula e agora Paulo Lemos e pergunta-se por quanto tempo. A
falta de estabilidade na pasta é mais um contributo para o estado do
planeamento e do ordenamento do território.
Tal como nas figuras de planeamento quando não se determina,
com exatidão, os seus limites físicos ou eles não são coerentes com o objetivo
e nunca se obter coerência propositiva, também o conceito associado ao nome da
secretaria de estado se revela motivo de incoerência e, por consequência,
encerra, em si, dificuldades várias de gestão interna.
Com efeito a junção de pastas tão diferentes como o
Ordenamento do Território e o Ambiente tem vindo a criar problemas de gestão da
Secretaria de Estado face a interesses divergentes, senão no objetivo comum, na
praxis de cada uma das disciplinas.
A bem do Ordenamento do Território e do Ambiente, as
Secretarias de Estado devem ser distintas por forma a trabalharem os seus temas
em sede de um mesmo Ministério, de outro modo as contradições internas só
servem para bloquear as ações emergentes e urgentes que esta pasta tem de levar
a cabo na reforma do sistema.
Nestes superministérios cuja evidencia maior é o de Assunção
Cristas com a Agricultura, o Mar, o Ambiente e o Ordenamento do Território
quase não resta tempo para o exercício efetivo das funções, muito menos da
maior destas que é a reforma do sistema de planeamento face á inércia,
complexidade e morosidade em que caiu.
O atual Secretário de Estado entra a ter que resolver uma
contradição que transporta com ele: a de ser fundador de uma associação
ambiental que classificou a Ministra Assunção Cristas como destruidora de uma
das legislações que melhor defendiam as teses ambientais que era a Reserva
Ecológica Nacional.
Pedro Ribeiro da Silva
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