Angra do Heroísmo:
30 anos de Património
da UNESCO
A ilha da Terceira do arquipélago dos Açores é considerada uma das ilhas
com maior e mais importante património histórico. Angra do Heroísmo, sede do
bispado desde 1534, ano em que foi elevada a cidade, está situada a sul da Ilha
Terceira junto da pequena baía que lhe deu o nome. A associação de Angra aos
descobrimentos marítimos dos sécs. XV e XVI através do seu porto, que foi
escala indispensável das frotas de África e das Índias, e de ser um exemplo da
criação de uma metrópole ligada à função marítima, valeram-lhe a condição de
Cidade do Mundo. Foi aqui que ancoraram os galeões cheios de especiarias vindas
do Oriente e da América, cheios de ouro, prata, tecidos, pimenta e cravinho e
muitas outras riquezas, que tornaram a capital da Ilha, Angra do Heroísmo, num
testemunho vivo e histórico, reconhecido pela UNESCO em 1983, como Cidade
Património Mundial da UNESCO.
A situação geográfica da ilha, a sua forma arredondada, facilitando as
comunicações entre todos os pontos da sua periferia, a riqueza do solo,
abastada em pastagens para criação de gados e capacidade para outras culturas,
a relativa segurança na baía, fizeram de Angra o porto militar dos Açores,
fazendo desenvolver de uma forma rápida, o pequeno burgo que era Vila desde
1474, nestas condições poucas cidades portuguesas têm desempenhado tão
importante papel na história nacional como Angra, que exerceu uma ação decisiva
nos destinos do país.
É pela sua geo-história, carácter e valor patrimonial edificado que Angra
do Heroísmo se ergue, tanto hoje, como ao longo dos séculos. A capacidade de
entender, usar e evoluir está notório neste espaço, comprovando o que de melhor
se tem feito por estes lados, a ponto de ter merecido o galardão da UNESCO e da
Humanidade.
São realizadas na ilha Terceira diversas festas, sendo nos meses de Maio
a Outubro, a época em que se regista uma maior atividade, com festas
constantes. As Festas de São João, apelidadas pelos terceirenses por
Sanjoaninas, são as maiores festas deste arquipélago. Estes festejos na ilha
Terceira é onde a tradição e cor se misturam fazendo destas festas, um ponto de
encontro, para os açorianos das ilhas vizinhas
O Jornal
Planeamento e Cidades entrou em contato com o Governo Regional do Açores e
obtemos uma declaração do Diretor Regional da Cultura, Nuno Lopes, em que
declarou “Ser Património Mundial
significa ser singular. Singularidade essa reconhecida pela comunidade
internacional, função da memória presente dos tempos passados e do esforço
contínuo de construção de um futuro partilhado com a modernidade.
Num mundo global onde a
uniformização de valores e de costumes nos é imposta e, ao mesmo tempo, em
muitas situações é desejada, ser diferente significa a liberdade de ser
autêntico e de lutar contra a importação de valores que destrói o identitário e
tudo vulgariza.
Ao manter, reconstruir,
proteger, estamos todos os dias a mostrar aos outros e a nós mesmos que ser
plural não significa a anulação individual, a estandardização
civilizacional; o papel que a História reservou a esta cidade e à Região traduz
uma vocação transatlântica, cosmopolita, que deve ser defendida e potenciada no
presente e no futuro.
Efetivamente, não somos uma mera
extensão da Europa, mas uma ponte para outros territórios, onde as influências
se cruzam e informam uma cultura própria.
Passados 30 anos após
classificação é preciso analisar o nosso quotidiano, ajustando o papel do
estado e da comunidade, reforçando no exterior essa marca da diferença”.
Igualmente o Jornal Planeamento e Cidades contactou a Câmara Municipal de
Angra do Heroísmo no qual nos informou que para celebrar esta data a Câmara
Municipal está a organizar um programa comemorativo da efeméride, congregando
entidades e personalidades das mais diversas áreas.
Embora ainda em preparação, este programa visa evidenciar o potencial de
Angra do Heroísmo no presente e no futuro, como cidade cosmopolita que é, mas
que se quer, em pleno século XXI, mais progressista, mais acessível a todos,
mais ecológica e ambientalista, turisticamente mais apelativa, fazendo-se
descobrir pelos cidadãos do mundo a quem, em última análise, também pertence
como Património da Humanidade, mas fazendo-se igualmente redescobrir pelos
angrenses, seus primeiros e derradeiros herdeiros.
Assim até ao dia 7 de Dezembro, data da sua elevação, a Câmara Municipal
de Angra, vai anunciar várias medidas, com o intuito de revalorizar Angra do
Heroísmo.
Sem levantar o véu prematuramente, entre as várias medidas encontram-se
previstas medidas de valorização e salvaguarda do seu património arquitetónico,
ambiental e natural, campanhas de divulgação e promoção turística, jornadas de
debate e reflexão sobre o futuro e as diretivas a seguir, bem como desafios
prioritários a enfrentar, e uma diversificada programação cultural.
Protagonista nos Descobrimentos no passado, na modernidade Angra quer ser
agora descoberta e redescoberta, partilhando e divulgando as várias razões
pelas quais merece ser, novamente e sempre, ponto de escala obrigatória para
quem busca emoção e autenticidade.
Tanto no passado, como no presente, Angra do Heroísmo evidencia-se pela
sua beleza carismática, pelo seu valor histórico e pelo carácter dos seus
habitantes, angrenses que acolhem, num “abraço de aberto” locais e visitantes.
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