quarta-feira, 6 de março de 2013


Angra do Heroísmo:
30 anos de Património da UNESCO

A 7 de Dezembro 1983, Angra do Heroísmo, tornou-se a primeira cidade portuguesa inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO, assim, celebram-se os 30 anos de Angra do Heroísmo como o primeiro bem cultural português inscrito nesta prestigiada lista.
A ilha da Terceira do arquipélago dos Açores é considerada uma das ilhas com maior e mais importante património histórico. Angra do Heroísmo, sede do bispado desde 1534, ano em que foi elevada a cidade, está situada a sul da Ilha Terceira junto da pequena baía que lhe deu o nome. A associação de Angra aos descobrimentos marítimos dos sécs. XV e XVI através do seu porto, que foi escala indispensável das frotas de África e das Índias, e de ser um exemplo da criação de uma metrópole ligada à função marítima, valeram-lhe a condição de Cidade do Mundo. Foi aqui que ancoraram os galeões cheios de especiarias vindas do Oriente e da América, cheios de ouro, prata, tecidos, pimenta e cravinho e muitas outras riquezas, que tornaram a capital da Ilha, Angra do Heroísmo, num testemunho vivo e histórico, reconhecido pela UNESCO em 1983, como Cidade Património Mundial da UNESCO.
A situação geográfica da ilha, a sua forma arredondada, facilitando as comunicações entre todos os pontos da sua periferia, a riqueza do solo, abastada em pastagens para criação de gados e capacidade para outras culturas, a relativa segurança na baía, fizeram de Angra o porto militar dos Açores, fazendo desenvolver de uma forma rápida, o pequeno burgo que era Vila desde 1474, nestas condições poucas cidades portuguesas têm desempenhado tão importante papel na história nacional como Angra, que exerceu uma ação decisiva nos destinos do país.
É pela sua geo-história, carácter e valor patrimonial edificado que Angra do Heroísmo se ergue, tanto hoje, como ao longo dos séculos. A capacidade de entender, usar e evoluir está notório neste espaço, comprovando o que de melhor se tem feito por estes lados, a ponto de ter merecido o galardão da UNESCO e da Humanidade.
São realizadas na ilha Terceira diversas festas, sendo nos meses de Maio a Outubro, a época em que se regista uma maior atividade, com festas constantes. As Festas de São João, apelidadas pelos terceirenses por Sanjoaninas, são as maiores festas deste arquipélago. Estes festejos na ilha Terceira é onde a tradição e cor se misturam fazendo destas festas, um ponto de encontro, para os açorianos das ilhas vizinhas
                O Jornal Planeamento e Cidades entrou em contato com o Governo Regional do Açores e obtemos uma declaração do Diretor Regional da Cultura, Nuno Lopes, em que declarou “Ser Património Mundial significa ser singular. Singularidade essa reconhecida pela comunidade internacional, função da memória presente dos tempos passados e do esforço contínuo de construção de um futuro partilhado com a modernidade.
Num mundo global onde a uniformização de valores e de costumes nos é imposta e, ao mesmo tempo, em muitas situações é desejada, ser diferente significa a liberdade de ser autêntico e de lutar contra a importação de valores que destrói o identitário e tudo vulgariza.
Ao manter, reconstruir, proteger, estamos todos os dias a mostrar aos outros e a nós mesmos que ser plural não significa a anulação individual, a estandardização civilizacional; o papel que a História reservou a esta cidade e à Região traduz uma vocação transatlântica, cosmopolita, que deve ser defendida e potenciada no presente e no futuro.
Efetivamente, não somos uma mera extensão da Europa, mas uma ponte para outros territórios, onde as influências se cruzam e informam uma cultura própria.
Passados 30 anos após classificação é preciso analisar o nosso quotidiano, ajustando o papel do estado e da comunidade, reforçando no exterior essa marca da diferença”.
Igualmente o Jornal Planeamento e Cidades contactou a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo no qual nos informou que para celebrar esta data a Câmara Municipal está a organizar um programa comemorativo da efeméride, congregando entidades e personalidades das mais diversas áreas.
Embora ainda em preparação, este programa visa evidenciar o potencial de Angra do Heroísmo no presente e no futuro, como cidade cosmopolita que é, mas que se quer, em pleno século XXI, mais progressista, mais acessível a todos, mais ecológica e ambientalista, turisticamente mais apelativa, fazendo-se descobrir pelos cidadãos do mundo a quem, em última análise, também pertence como Património da Humanidade, mas fazendo-se igualmente redescobrir pelos angrenses, seus primeiros e derradeiros herdeiros.
Assim até ao dia 7 de Dezembro, data da sua elevação, a Câmara Municipal de Angra, vai anunciar várias medidas, com o intuito de revalorizar Angra do Heroísmo.
Sem levantar o véu prematuramente, entre as várias medidas encontram-se previstas medidas de valorização e salvaguarda do seu património arquitetónico, ambiental e natural, campanhas de divulgação e promoção turística, jornadas de debate e reflexão sobre o futuro e as diretivas a seguir, bem como desafios prioritários a enfrentar, e uma diversificada programação cultural.
Protagonista nos Descobrimentos no passado, na modernidade Angra quer ser agora descoberta e redescoberta, partilhando e divulgando as várias razões pelas quais merece ser, novamente e sempre, ponto de escala obrigatória para quem busca emoção e autenticidade.
Tanto no passado, como no presente, Angra do Heroísmo evidencia-se pela sua beleza carismática, pelo seu valor histórico e pelo carácter dos seus habitantes, angrenses que acolhem, num “abraço de aberto” locais e visitantes.

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